CPMI do INSS convoca deputado e filho de empresário preso por fraudes em aposentadorias
A CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS agendou para às 16h desta segunda-feira (9) os depoimentos do deputado estadual do Maranhão Edson Araújo (PSB) e de Paulo Camisotti, filho e sócio do empresário Maurício Camisotti, preso por suspeita de envolvimento em um esquema de fraudes bilionárias no Instituto Nacional do Seguro Social.
Edson Araújo é investigado pela Polícia Federal na Operação Sem Desconto, que apura descontos irregulares em benefícios previdenciários. Já Paulo Camisotti é apontado pelos investigadores como um dos elos finais do esquema, responsável pela operacionalização dos descontos indevidos em aposentadorias e pensões.
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que ambos estão formalmente convocados e que, em caso de ausência, poderão ser conduzidos coercitivamente ao Senado.
Maurício Camisotti, pai de Paulo, chegou a ser trazido a Brasília para depor, mas acabou não sendo ouvido após decisão do ministro André Mendonça, do STF, que determinou a facultatividade do comparecimento do empresário à comissão. Com isso, ele foi reconduzido ao presídio em São Paulo.
Em nota divulgada no domingo (8), Carlos Viana destacou que, embora o direito ao silêncio seja constitucional, ele não pode ser utilizado para esvaziar ou atrasar investigações, sobretudo diante de fraudes que atingem aposentados, órfãos e viúvas. O senador reforçou que Paulo Camisotti deverá comparecer à sessão, mesmo podendo optar por permanecer em silêncio.
Presidente do INSS nega boicote e defende atuação do governo
Na semana passada, o presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, prestou depoimento à CPMI e negou sofrer boicote interno. Ele defendeu a atuação do governo no combate às fraudes e confirmou que teve um pedido de exoneração negado pelo ministro Wolney Queiroz.
A servidora citada foi Léa Bressy Amorim, diretora de Tecnologia da Informação do INSS, cuja substituição teria sido sugerida por sua proximidade com o ex-presidente da autarquia Alessandro Stefanutto. Segundo Waller, a mudança era uma necessidade técnica, por se tratar de uma área sensível.
O presidente do INSS também afirmou que sua nomeação teve caráter técnico, lembrando sua experiência como ouvidor-geral da União. A oitiva durou mais de sete horas, teve momentos de tensão e questionamentos da oposição, mas foi conduzida pelo presidente da comissão.
Waller defendeu ainda o acordo proposto pelo governo para ressarcir aposentados e pensionistas prejudicados, destacando que a orientação do Planalto é indenizar as vítimas e depois buscar a recuperação dos recursos junto aos responsáveis pelas fraudes.
