A acusação mencionada pelo governo dos Estados Unidos está ligada a um processo comercial iniciado pela administração de Donald Trump por meio do órgão Office of the United States Trade Representative (USTR). A investigação usa a chamada Trade Act of 1974 – Section 301, que permite aos EUA apurar práticas estrangeiras consideradas injustas no comércio internacional.
O que os EUA estão investigando
Segundo o comunicado do USTR, a investigação analisa 59 países, incluindo o Brazil, para verificar se governos estão falhando em impedir a circulação de produtos feitos com trabalho forçado.
A preocupação americana é que produtos fabricados nessas condições possam entrar no mercado internacional com custos artificialmente menores, prejudicando empresas e trabalhadores dos EUA.
No caso brasileiro, o foco citado envolve denúncias de trabalho análogo à escravidão no agronegócio, especialmente em cadeias produtivas de carne que também exportam para os Estados Unidos.
Possíveis consequências
Se a investigação concluir que há falhas relevantes, o governo americano pode:
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aplicar novas tarifas comerciais
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restringir importações de determinados produtos
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adotar sanções comerciais específicas
Audiências públicas sobre o tema estão previstas para 28 de abril de 2026, quando governos, empresas e organizações poderão apresentar argumentos.
Sobre o caso envolvendo Ratinho
Separadamente dessa investigação internacional, o apresentador Carlos Massa (Ratinho) foi condenado pela Justiça do Trabalho em um processo relacionado a uma fazenda ligada a ele.
Segundo decisões judiciais sobre o caso:
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houve descumprimento de normas de saúde e segurança do trabalho
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foi determinada indenização por dano moral coletivo de R$ 200 mil
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os fatos investigados ocorreram em 2016
Essa decisão não está diretamente ligada à investigação comercial dos EUA, mas costuma ser citada em debates sobre condições de trabalho no meio rural brasileiro.
✅ Importante: o Brasil possui mecanismos oficiais de combate ao trabalho escravo contemporâneo, como fiscalizações do Ministério do Trabalho e a chamada “lista suja” de empregadores, usada para punir empresas flagradas com essa prática.
Donald Trump denunciou que o Brasil e mais 59 países utilizam de trabalho análogo à escravidão no agronegócio e ameaçou nova taxação. Em comunicado exposto nesta quinta (13) pelo United States Trade Representative (Escritório do Representante Comercial dos EUA), o governo americano inclui o país em uma lista de acusados de “trabalho forçado” que importam produtos para lá. O USTR consultou os governos dos países e fará audiências em 28 de abril de 2026. Em relação ao Brasil, as acusações vêm especialmente às denúncias de trabalho análogo à escravidão no agronegócio que vende carne para os Estados Unidos – que já foi alvo do tarifaço de antes. De acordo com a nota, as investigações determinarão se os atos, políticas e práticas de cada uma dessas economias, relacionados à falha em impor e aplicar efetivamente uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado, são desarrazoados ou discriminatórios e oneram ou restringem o comércio dos EUA. Trump condena trabalho análogo no Brasil Com isso, os EUA usaram a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que pretende combater práticas estrangeiras desleais que atingem o comércio dos EUA. O embaixador junto ao USTR, Jamieson Greer, disse que apesar do consenso internacional contra o trabalho forçado, os governos não conseguiram impor e aplicar efetivamente medidas que proíbam a entrada em seus mercados de produtos fabricados com trabalho forçado. Por muito tempo, trabalhadores e empresas americanas foram forçados a competir com produtores estrangeiros que podem ter uma vantagem de custo artificial obtida com o flagelo do trabalho forçado. Essas investigações determinarão se os governos estrangeiros tomaram medidas suficientes para proibir a exportação de produtos fabricados com trabalho forçado e como a falha em erradicar essas práticas abomináveis impacta os trabalhadores e as empresas americanas. O apresentador do SBT Ratinho foi condenado ao pagamento de indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 200 mil pela inobservância de normas trabalhistas relativas à saúde e à segurança do trabalho em uma fazenda em 2016.
