🔎 1. Saída de Kassab: ruptura ou ajuste?
A saída de Kassab do governo paulista parece menos uma ruptura definitiva e mais um ajuste estratégico forçado.
- Ele perde espaço direto na gestão de Tarcísio
- Mas mantém apoio institucional do PSD à reeleição do governador
- Evita ficar “subordinado” a decisões influenciadas por Jair Bolsonaro
👉 Ou seja: sai do governo, mas não rompe politicamente — pelo menos por agora.
⚖️ 2. Kassab deixa de ser “ponte” e vira jogador
Antes, Kassab operava com um pé em cada lado:
- Relação com Tarcísio (SP)
- Proximidade com Lula (governo federal)
Agora, com a saída:
- Ele perde o papel de mediador direto
- Ganha liberdade para reposicionar o PSD nacionalmente
Isso fortalece sua capacidade de negociação com Brasília — especialmente com Lula.
🧠 3. Impacto eleitoral em São Paulo
Você levanta um ponto importante: o peso dos prefeitos.
Kassab é conhecido por:
- Forte influência municipalista
- Capilaridade do PSD no interior
Se houver insatisfação:
- Parte dos prefeitos pode esfriar apoio a Tarcísio
- Mas uma debandada total ainda é improvável no curto prazo
👉 O mais provável: apoio formal mantido + ruídos nos bastidores.
🗳️ 4. O dilema do PSD para 2026
Os dois nomes citados mudam completamente o posicionamento do partido:
➤ Ronaldo Caiado
- Mais próximo da direita
- Pode convergir com o bolsonarismo
- Risco: fortalecer um adversário direto de Lula
➤ Eduardo Leite
- Perfil mais moderado
- Alternativa de “terceira via”
- Mantém portas abertas com diferentes campos
👉 Do ponto de vista estratégico de Kassab, sua leitura faz sentido:
Leite preserva mais opções — Caiado fecha portas.
🧩 5. Onde entra Lula e o governo federal
Para Kassab, há um cálculo claro:
- Com Lula forte → PSD mantém espaço em ministérios
- Com um nome alinhado ao bolsonarismo vencendo → PSD pode perder influência
Por isso, mesmo sem apoio explícito:
👉 Existe um incentivo para não fortalecer um candidato que ameace diretamente Lula.
📊 Conclusão
O movimento não é só local (São Paulo), é nacional:
- Tarcísio se aproxima mais do bolsonarismo
- Kassab se reposiciona como articulador independente
- O PSD vira peça-chave na eleição de 2026
👉 Em resumo:
Kassab não foi simplesmente “jogado no colo de Lula” —
ele agora tem mais liberdade para escolher em qual colo sentar, dependendo do cenário.
Ao tirar Kassab do governo, Tarcísio o joga no colo de Lula. O presidente do PSD tinha um pé na canoa do governador e outro na do presidente. Ontem, ele ficou com um pé só, ao deixar o governo de São Paulo. É claro que ele foi forçado a sair. Esperou pacientemente Tarcísio atender seu pleito de colocá-lo como seu vice na reeleição. Mas, para atender a Bolsonaro, o governador o vetou, num ato que fortalece tanto Lula quanto Haddad. É público e notório que, se Tarcísio era um poste eleito pelo bolsonarismo, seu mentor político foi, desde o início, o presidente do PSD. Também não é exagero atribuir a Kassab a eleição de mais de 70% dos prefeitos do estado de São Paulo, fiéis a Tarcísio, na última eleição. Tarcísio parece estar seguro de que as alianças que teceu serão suficientes para garantir sua reeleição, mas não é impossível que os prefeitos do PSD pulem fora do barco do governador, em homenagem a Kassab. Agora que só tem uma canoa para os dois pés, a estratégia da escolha do presidenciável também muda. Escolher Caiado seria ajudar o bolsonarismo a eleger Flávio, o que não interessa a Kassab. Por esse motivo, o lógico seria optar por Eduardo Leite, que, se não se alinha com Lula, também não se alinha a Bolsonaro.
Nem Caiado nem Leite têm votos para chegar ao segundo turno, ao menos por ora, mas optar por Caiado é a pior opção para Kassab, que não goza de simpatia na extrema-direita e não terá nada a ganhar caso Flávio tire Lula da presidência. A vitória de Lula vai implicar na conservação dos ministérios no próximo governo; a de Flávio deixará Kassab órfão de ministérios. A saída de Kassab do secretariado não significa um afastamento político do governador — muito pelo contrário. Em sua mensagem, o presidente do PSD deixou claro que a legenda estará ao lado de Tarcísio de Freitas na disputa pela reeleição ao Palácio dos Bandeirantes. "O êxito alcançado em todos os setores ao longo desses quatro anos credencia o governador e seu governo a postular uma recondução, que tem o apoio do PSD, como ocorreu quando da sua eleição", declarou Kassab, agradecendo ainda pelo que chamou de "privilégio" de ter integrado o secretariado e contribuído com a gestão estadual. Agradecimentos No texto publicado nas redes sociais, Kassab também reservou palavras de reconhecimento aos colegas que dividiram o secretariado ao longo dos últimos quatro anos. "Deixo o meu abraço e gratidão aos meus colegas de secretariado pelas parcerias e solidariedade permanente, desejando a todos muito êxito em suas missões", escreveu.
O dirigente do PSD ainda cumprimentou lideranças do partido em São Paulo, citando nominalmente Alda Marco Antonio, Alfredo Cotait e Guilherme Afif Domingos pela "confiança contínua" a ele dispensada ao longo de sua trajetória. Por fim, Kassab prestou uma homenagem póstuma ao ex-deputado e ex-ministro Antonio Delfim Netto, descrito como um amigo de longa data e figura influente em sua carreira política. "Registro um agradecimento póstumo ao sempre deputado e ministro Antonio Delfim Netto, um amigo da minha família, meu eleitor em diversas oportunidades e conselheiro em muitas decisões ao longo da minha carreira. Delfim foi o primeiro que me sinalizou da importância de eleger Tarcísio governador de São Paulo", concluiu Kassab. O presidente nacional do Partido Social Democrático (PSD), Gilberto Kassab, e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, têm encontro previsto para esta terça-feira (24), em São Paulo. A reunião ocorre um dia após o governador do Paraná, Ratinho Júnior, anunciar que permanecerá no cargo até o fim do mandato, decisão que o retira da disputa presidencial. As informações são do SBT News. O partido deve definir ainda nesta semana quem será seu candidato ao Palácio do Planalto. Além de Caiado, também está na disputa o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. A definição ocorre em meio a ajustes internos da legenda, que busca consolidar uma candidatura competitiva para as eleições. Ratinho Júnior informou, em nota, que após concluir o mandato pretende retornar à iniciativa privada e assumir a presidência do Grupo Massa, empresa fundada por seu pai, Carlos Massa, conhecido como Ratinho. Segundo apuração do SBT News, Caiado passou a ser o principal nome do PSD para concorrer à Presidência da República após a saída do governador paranaense da corrida. Dois governadores são os principais nomes em análise dentro da legenda: Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Ronaldo Caiado, de Goiás. De acordo com Kassab, ambos possuem avaliações positivas e acumulam realizações em suas trajetórias políticas, além de já apresentarem projetos que poderão orientar o plano de governo do PSD.
